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Putz, será que perdi o busão?

Aí você chega ao ponto de ônibus e um bem da cor do seu está um quarteirão lá na frente — e não vai parar. Você pergunta pra senhora com as compras do supermercado, mas ela não reparou se aquele era o seu, que passa de 40 em 40 minutos e às vezes atrasa. Às vezes não. Logo chega um outro busão, de que você gosta menos, porque pára um pouco mais longe, mas pode quebrar um galho dependendo da ocasião. Mas é esta a ocasião? Afinal, você acabou de perder o seu ônibus ou ele já está logo ali na rua anterior, para chegar? Pegar ou não pegar o quebra-galho? Ele é ok, mas o outro… O outro é o certo. Mas será que ele era o que você viu há pouco? Mas… Mas… Ei, motorista, calmaê!

Uma norma simples, simples vai dar uma forcinha na hora da decisão dos passageiros. A implantação é gradual (notamos as primeiras mudanças nas últimas semanas), mas desde abril a prefeitura determinou que os coletivos tenham, também no vidro traseiro, a identificação da linha. Assim, quem está atrás do veículo pode ver qual foi o ônibus que acabou de passar — e evitar muita angústia.

A medida é uma melhoria na identificação dos cerca de 15 mil veículos da frota que atende a cidade — como foi a volta do código de cores, há cerca de 4 anos. Na carta enviada aos consórcios também está a exigência de alteração nas placas internas que indicam as paradas da linha (que antes eram imcompletas, com cerca de 5 itens, e depois sumiram na maioria dos coletivos). Os novos quadros que estão sendo instalados no interior dos veículos seguem um padrão parecido com o usado no metrô — com um número bem maior de pontos de destaque. Do lado de fora, perto da porta de embarque, uma versão resumida da placa traz os intinerários de ida e volta.

Tão singelo quanto imediatamente eficiente. A propósito, grande parte dos (mais complexos) painéis eletrônicos das paradas, que deveriam ajudar os passageiros com informações sobre a espera para os próximos ônibus, seguem oferecendo dados incompletos ou dado nenhum – estamos de olho vivo.

Incêndio destrói Cultura Artística; veja vídeo

Um incêndio de grandes proporções destruiu todo o terceiro andar do Teatro Cultura Artística, no centro. Apesar de todo o dano material e cultural para a cidade, o teatro estava vazio e incêndio não deixou vítimas.

O fogo começou durante a madrugada e foi controlado por volta das 8h40 deste domingo. De acordo com os Bombeiros, o trabalho de rescaldo será feito durante todo o dia, porque há pequenos focos de incêndio em todo o prédio.

Do G1:

Todo o terceiro andar do teatro, onde ficava a sala de espetáculos Esther Mesquita, a maior do local, com 1.156 lugares, foi destruído. As chamas causaram o desabamento do teto do local. Uma área de apresentações menor, a sala Rubens Sverner, com capacidade para 339 lugares, não foi atingida pelas chamas.

Na fachada da casa, há o maior afresco existente do artística plástico brasileiro Di Cavalcanti. Com 48 metros de largura por oito de altura, a obra foi feita em mosaico de vidro e inaugurada em março de 1950. Segundo os bombeiros, o afresco não foi atingida pelas chamas.

Alguns vídeos do incêndio já estão na internet. Assista abaixo:

Do Último Segundo:

O incêndio que atingiu o Teatro Cultura Artística fez com que a apresentação da Orquestra Filarmônica de Liège fosse transferida para o Teatro Municipal e para a Sala São Paulo. Segundo informe divulgado no site do Teatro atingido, quem comprou ingresso para o dia 18 deve se dirigir ao Municipal e quem comprou para o dia 19 deve ir à Sala São Paulo.

Foto de Raphael Enes no Flickr da Clau Mani.

Vídeo da Semana

Trecho do show esgotado de João Gilberto na última semana.

Imagem da Semana

Eclipse deste sábado.

Eles são Sampa e livros

Em época de Bienal Internacional do Livro em São Paulo, conversamos com Vanessa Barbara e Emilio Fraia, que, desde o lançamento de seu primeiro romance, O Verão do Chibo (Ed. Alfaguara, 2008), vêm recebendo críticas muito positivas e já estão sendo incluídos na lista dos mais originais escritores brasileiros contemporâneos. Nesta entrevista, eles falam sobre o processo de criação do livro, suas inspirações e os diversos tipos de mídia em que criam.

Como foi escrever O Verão do Chibo a quatro mãos? De quem partiu a idéia inicial do livro e como foi o processo de criação?

Escrevemos O verão em turnos. O Emilio escrevia um trecho, que podia ser de duas linhas ou de uma ou duas páginas, passava para a Vanessa e ela lia, reescrevia e seguia em frente. Foi um processo lento, principalmente no início, quando ainda não tínhamos uma voz coesa. Encontramos o tom no decorrer das páginas, quando o nosso narrador (o Menorzinho) decidiu falar com a gente. A partir daí, fomos escrevendo sem rumo, sem discutir o enredo. Fizemos alguns poucos “colóquios” para uniformizar as idéias, mas em geral foi um processo de muita reescrita, de cuidado com o texto. O Emilio gostava muito quando chegava numa parte difícil de continuar, quando ele mesmo colocava os personagens numa situação complicada e aí era só salvar o arquivo e mandar pra Vanessa, que ela resolvia. Às vezes dava a sensação de que o livro se escrevia sozinho, porque de repente a Vanessa recebia um trecho já pronto, como se tivesse ido dormir e as coisas tivessem acontecido na sua ausência. Apesar da coisa da escrita a quatro mãos ser interessante (poucos são os casos de parceria envolvendo ficção), a sensação pra gente é que ela não importa muito. O Verão pode ser lido como sendo de um único autor. A gente queria contar uma história, fazer com que o leitor se concentrasse nela e só.

Como surgiram a idéia do roteiro, o inusitado cenário da plantação de milho e os personagens?

Nós tínhamos lido uma frase do Kafka, de um conto chamado “Comunidade”, e ela dizia que “além do mais somos cinco e não queremos ser seis”. Isso foi mais ou menos ao mesmo tempo em que a gente pensou em escrever uma história cujo início fosse num tiroteio de balas de goma. Não tem muita lógica (e não sabemos exatamente como surgiu a coisa da plantação). O que nos faz pensar também que um livro não começa a ser escrito quando começa (de fato) a ser escrito. Ele começa antes e depois, e por muitas vezes — caolho, com sono, dor de barriga, soluço, apendicite, dor de dente. O Verão, que começou quando a gente se conheceu e começou de novo quando o Chibo não desceu do carro pra brincar com os amigos, começou muitas outras vezes, e quando descobrimos que os personagens não se entendiam muito bem e que tínhamos ali algo sobre a dificuldade de expressar as coisas, sobretudo as mais importantes.

Vocês foram particularmente influenciados por alguma obra ou autor? Como vocês transitam por diversos tipos de mídia (impressa e eletrônica), para escrever este romance, vocês também foram influenciados por alguma outra forma de arte, que não apenas a literatura?

Fomos influenciados pelo universo inteiro, empilhado. Folhetos publicitários de um iogurte búlgaro, a viagem Paris-Marselha do casal Cortázar-Dunlop, a hipótese de que o realismo seria “mera verossimilhança sem invenção”, um cabeludo tocando guitarra na capa de um disco. O nome “Chibo”, por exemplo, foi tirado de um personagem coadjuvante de um livro do Vargas Llosa chamado Os filhotes. Assistimos também uma porção de filmes com crianças, Brinquedo proibido (de onde pegamos a epígrafe do livro), Os incompreendidos, Zero de conduta, Zazie no metrô, Quando papai saiu em viagem de negócios. A Vanessa tirou dentes do siso, o Emilio teve apendicite, vimos A estrada (do Fellini) e também brigamos no início do capítulo seis.

Vocês dois são jornalistas e, além de terem suas próprias publicações eletrônicas (Givago, fanzine que era editado pelo Emilio e A Hortaliça, almanaque virtual editado pela Vanessa), também são colaboradores da revista piauí. Qual a diferença do processo de criação para cada um destes meios: eletrônico, impresso mensal e literatura?

No meio eletrônico de fanzines e legumes, temos liberdade (em excesso) para escrever o que nos dá na telha, pra lançar edições especiais de “bobice indomável”, pra demorar seis meses entre um número e outro e pra maquinar contos que não têm a menor razão de ser. É bom por ser um exercício divertido e sem a menor solenidade — o que procuramos estender às nossas outras produções. Na piauí, o foco maior é o jornalismo e também tentamos reproduzir os nossos vibrafones e obsessões, sem medo de experimentar, e no caso da literatura, dá pra sapatear bastante no texto e pensar mais detidamente na história (mas sem perder legumes e isqueiros jamais).

O processo de criação a quatro mãos do romance foi diferente do processo que vocês utilizaram para escrever, também em parceria, o conto “Vibrafone”, publicado no Givago?

O “Vibrafone” é uma costura de alguns e-mails que trocamos em 2003, sobre o sumiço de um vibrafone numa música. Não era pra ser um conto, não fomos trocando trechos pensando numa história, como fizemos n’O verão. Tínhamos lido o Jogo da amarelinha, do Cortázar, e estávamos realmente empolgados com o Oliveira, o Gregorovius, a Etienne e a Maga ouvindo jazz e tateando o ar sob as nuvens achatadas e vermelhas do Quartier Latin. Na época, a Vanessa gravou um CD com as músicas que aparecem no livro e deu de presente pro Emilio. Escutávamos a Bessie Smith, o Coleman Hawkins e, de repente, o Emilio percebeu que o vibrafone do Lionel Hampton havia desaparecido da música “Save It Pretty Mama”! Desse sumiço, nasceu o conto.

Apesar de o narrador do romance O Verão do Chibo ser um menino de cerca de sete anos, não se trata de uma literatura infanto-juvenil. É mais difícil escrever para adultos com uma voz narradora infantil?

A voz do nosso narrador é incomum, a visão que ele tem do mundo é muito delicada e achamos mais interessante contar a história do ponto de vista do menorzinho do que dos adultos. Um narrador-criança tem um jeito diferente de ver as coisas e, no nosso caso, tem dificuldade em entender o que está acontecendo, o que é muito interessante para o livro. É um desafio para quem escreve, mas pode ficar interessante.

Vocês estiveram recentemente na FLIP, em Paraty (RJ), como convidados da mesa “Primeiro Tempo”. Há quatro anos, na FLIP de 2004, quando vocês participaram da oficina de criação com Milton Hatoum, vocês já planejavam ter um romance publicado em breve? E esperavam passar de participantes a convidados da festa em tão pouco tempo?

Em 2004, o Emilio se hospedou num albergue cuja TV da sala ficava ligada 24 horas por dia num programa sobre emas. A Vanessa ficou num hotel cuja porta do banheiro não fechava, onde os galos gritavam às 3 da manhã e havia um comitê eleitoral no andar térreo. Ou seja: o convite não só foi inesperado como muito bem-vindo.

Que tipo de leitor vocês idealizam ou idealizaram para O Verão do Chibo? Ou que tipo de leitor vocês gostariam de ter?

Enquanto escrevíamos, não idealizamos nenhum leitor, não pensamos nos amigos nem no que a história poderia causar. Parafraseando o Quiroga: tentávamos criar a história como se ela não tivesse interesse senão para o pequeno mundo dos nossos personagens. Mas, com o livro pronto, a literatura são sempre modos de ler. A mãe da Vanessa, por exemplo, quer um leitor que perceba quão magnífico é o personagem Cabelo. Ele seria o centro do livro e tudo no mundo se encheria de desenhos alienígenas, abelhas e nariz escorrendo. Em outro lugar se ajeitou na poltrona o leitor de um Verão muito sinistro, uma história de terror, de barcos que não atracam, lagartixas cortadas ao meio, tábuas quebradas, a história de um mundo em que a imaginação tenta resistir frente a um exército de figuras mortas e empalhadas. Alguém pode dizer: é o tipo de narrativa de aventura, só que enguiçada! Há crianças, férias, verão, mas parece que o filme enroscou na máquina, que a bóia de pato furou, que as figurinhas perderam o autocolante! Ou então: é a história de um narrador que não entende direito as coisas porque, ora, é criança. É a história de pais que brigam e é a história de como, sem perceber, devagar e aos poucos, as coisas de lá se misturam com as de cá e nos transformamos em pessoas novas e estranhas para nós mesmos.

Vamos pensar em dicas de compras para a Bienal… Quais os livros favoritos de cada um, independentemente de eles terem ou não influenciado este romance?

Emilio: os contos do Onetti; o Gordon Pym e as histórias do Poe.
Emilio e Vanessa: Flaubert, Borges e Cortázar.
Vanessa: Tristram Shandy, do Sterne, e Alice, do Lewis Carroll.
Emilio: A história do olho, do Bataille; Juventude, do Coetzee; A construção, do Kafka.
Vanessa e Emilio: Salinger, A volta do parafuso, do Henry James e A invenção de Morel, do Bioy Casares.
Emilio: a revista Mad; um site que ensina a construir casas na árvore; o manual Você tem muito o que aprender, Charlie Brown!

Vanessa: O Manual de refrigeração e ar condicionado.
Vanessa e Emilio: a entrevista Truffaut/Hitchcock e as histórias do Calvin e do Haroldo.

Na Bienal Internacional, O Verão do Chibo pode ser encontrado, dentre outros, no stand de exposição da editora Objetiva.

Bienal do Livro abre as portas em São Paulo

Começou nesta quinta-feira a 20º Bienal do Livro de São Paulo, no pavilhão de exposições do Anhembi. Com expectativa de receber cerca de 800 mil pessoas, o evento terá 684 horas de programação cultural ao longo até o dia 24 de agosto. De acordo com a organização, haverá uma atividade cultural diferente a cada três minutos à disposição dos visitantes.

Do Estadão:

A lista de convidados é eclética, apostando em nomes consagrados como Lygia Fagundes Telles e Zuenir Ventura e até em celebridades como Marília Pêra e Chico Anysio. Entre os estrangeiros, os destaques são o mexicano Guillermo Arriaga, conhecido pelos roteiros de filmes como Babel e Amores Brutos, e a americana Samantha Power, autora de O Homem Que Queria Salvar o Mundo.

A expectativa é de que o público deste ano também seja recorde, com a presença de 800 mil pessoas no evento – o segundo maior do ramo no mundo, ficando atrás apenas da Feira do Livro de Frankfurt, segundo os organizadores. Além dos tradicionais estandes das editoras, a Bienal vem investindo numa programação paralela, que atinja todos os públicos e todas as idades.

A Bienal do Livro deixou muito a desejar nas últimas edições. Desorganização, longas filas de estacionamento, fila para comprar ingressos, corredores tumultuados e os preços dos livros semelhantes aos das livrarias. Torcemos para que esta edição seja um pouco melhor.

Bienal do Livro // R$ 10 a entrada // 14 de agosto até 24 de agosto // Estacionamento: R$ 20

Foto no Flickr do Hamilton Lima.
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O ataque das algas?

O G1 publicou hoje uma imagem curiosa do Rio Tietê. Parte de uma das margens foi tomada por uma vegetação aquática ainda de origem desconhecida.

Do G1:

Técnicos da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) dizem que o fenômeno teve origem em um ponto de água parada, uma lagoa ou represa, com excesso de matéria orgânica, resultado de poluição ou de fatores naturais. Segundo a Cetesb, essas plantas devem ter sido levadas para o rio após as chuvas. Técnicos percorriam nesta tarde o rio em busca do ponto de onde a vegetação teve origem. A Cetesb diz que a presença da planta em água corrente é pouco comum.

Talvez tenha sido o aquecimento global, não?

Extra, extra!

Foto no Flickr da Karla-S.

Grafite que não se apagou

Divulgação/Viva Saturno,Alex VallauriNum momento em que discutimos cidade limpa, listas de preservação e a domesticação (ou não) do grafite, o Centro Cultural São Paulo traz a mostra ‘Setenta e oito, setenta e nove: precursores do graffiti em São Paulo’.

A exibição, que começa no próximo dia 16 e vai até 14/09, aborda o começo da apropriação de muros, pontes, postes — da cidade como suporte para os trabalhos. Também está na exposição o envolvimento do movimento com outras formas de expressão, como a videoarte e o xerox.

Então anota aí: de terça a sexta, é das 10h às 20h. Domingos e feriados, das 10h às 18h. O Centro Cultural São Paulo fica na Rua Vergueiro, 1000, no Paraíso.

Extra, extra!

Foto no Flickr do R. Motti.